3 de abr. de 2012

Conto - "48"

Escrevi esse conto a algum tempo, inspirado numa brincadeira nossa com números e sentimentos. Escondido nele estão varias vezes o que para nós apenas a matemática explica. Desafio minha Dama e qualquer um a achar todos que eu escondi.


48


Em ruinas encontramos o sepulcro, foram quarenta e oito dias de viagem e mesmo assim, apenas depois de duas noites conseguimos realmente encontrar uma entrada, a sua volta vinte e quatro colunas quebradas pela metade mostravam que a guerra realmente acabará la.

Olhei para meus companheiros, todos estavam cansados principalmente o arqueiro que teve que gastar doze flechas para capturar apenas 4 coelhos nessas terras escarças de vida. Logo minha atenção se volta para o motivo da nossa jornada. Minha dama, descansando na maca que montamos que era carregada por seis poderosos cavalos, fazendo a viagem ser mais confortável possível. Sua mão estava gelada, o remédio a fazia dormir e não sentir dor, mas o veneno do Barão Kvardek-Ok que em sua sede de sangue e poder havia tentando me matar num traiçoeiro golpe temperado com veneno. Fui salvo pelo sacrifico da minha dama guerreira e jurei morrer antes de tentar tudo para salva-la.

O vento rugia, sua brisa uma musica entre galhos antigos que cercavam a masmorra. Nosso colega Achtundvierzig, clérigo de Elisha mestre dos quatro círculos de doze ficaria com minha guerreira enquanto partiríamos nas entranhas da terra e do passado achar a Rosa Anil, dita ser a única cura de tal veneno.
Entramos, vou a ponta como é costume da minha Ordem, os Ursos de Prata, cercado pelo nosso mago negro que dominava a arte da magia de ilusão, uma assassina mestre em amarras e adagas e o melhor amigo de minha dama guerreira, antigo bandido e atualmente um dos mais fabulosos Bardos, mestre nas magias das palavras e no arco. Entramos na clássica formação de losango quatro lados sendo observados, oito olhos atentos.

Andamos horas que pareciam dias, começo a ficar afobado por não ter respostas mas logo as lembranças de minha dama, pedindo calma com o olhar me fazem manter o foco. Tudo ficará bem, sempre disse para ela, e agora que ela finalmente larga as garras de seus treinadores o destino tenta nos separar. Jamais. Deuses e demônios irão cair sob minha lamina antes que permita tal coisa. É o que grito em minha mente quando sinto a mão de um de meus companheiros apertando meu ombro enquanto aponta para uma das cavernas escuras. Olho. Uma luz anil brilha ao fundo.

Ela acorda...se sente melhor com a vida voltando a cor e a temperatura em seu corpo. Apenas uma ardência em sua mão esquerda, quando vê uma rosa anil, ficando vermelha com seu sangue, rosa essa que se enrola em sua mão, como se formasse raízes no seu braço e trocasse o veneno pela seiva. Ela vê todos...todos menos eu.

Lentamente contam, sobre os soldados mortos-vivos que guardavam a criatura que tinha a rosa como armadura, o corpo envolto de raízes e caules, usando um deles como um chicote fatal e venenoso. A luta foi grave! Sangue jorrou, cabeças rolaram de inimigos a muito mortos, o mago lançava suas magias mostrando o passado para a criatura que se atordoava, mas não o bastante para um golpe fatal enquanto o bardo cantarolava e recitava palavras de poder que fortaleciam a todos. Eis que a brecha se abriu, um golpe certeiro no coração da criatura, era morte certa. Mas não era.

A rosa a mantinha viva, porem sem o coração estava fraca e parecia que ambos iriam morrer, a rosa e a criatura. Contaram que não tive duvida, joguei minha lamina de lado e puxei minhas adagas, cortando a rosa que ficava na mão esquerda com um golpe da direita e a cabeça da criatura com a outra. A rosa começa a murchar, ninguém entende, apenas eu.

A quarenta e oito séculos que essa rosa se alimenta de vida, ela não cura apenas, ela também fortalece, mas não sem cobrar um alto preço. Ela precisa de um novo hospedeiro, um que queira se sacrificar, um que quer fazer isso por um sentimento que antes jamais existiu, um sentimento que não pode ser dito, nem cantando, apenas entendido pelo seu outro par. Com pesar meus amigos contam como atravesso o caule da rosa em meu coração, apenas tento tempo de lançar uma semente azulada na mão do bardo e dando as instruções de como faze para lhe curar. Morro.

Todos choram, esperam que ela se levante em fúria e devaste vilas como fazia antes, quando presa por seus treinadores, destruía pessoas pelo simples ato de ver sofrimento nos outros, já que não tinha coragem de terminar com o seu próprio, nem tirando sua própria vida como tendo a coragem de fugir. Todos esperam que ela se mate, como sempre anunciava que iria fazer quando era encarcerada. Nada disso ela fez. Ela apenas sorriu, como nunca havia sem ser na minha presença.

Ela sabia.

Eu a resgatei de seus treinadores, não lutando, mas mostrando o quanto ela era forte. Eu a joguei contra inimigos poderosos e ria quando se feria em combate. Eu a deixei forte, uma mulher, uma guerreira uma viking. Ela sabia q eu nunca iria me sacrificar a toa, que deixaria ela só. Ela logo me sente dentro, eterno. Não precisamos estar juntos, apenas saber que um está sempre com o outro, e agora viva e bem, me carrega sempre em seu peito, a deixando mais forte e linda.

Uma nova guerreira surge, com amigos e um grande quarenta e oito em seu peito, que foi o numero de vitorias que tivemos juntos. Foi o numero de dias que passamos juntos antes de começarmos a nos aventurar novamente, foi o numero de monstros que derrotamos e é o numero de vezes que confessamos nosso amor até o dia que meu corpo foi.

Apenas o corpo, pois minha alma agora é dela, numa luta constante sob as decisões sobre oq eu fazer, como sempre foi nossos duelos e fazendo os medos delas serem consumidos pelas minhas certezas de um futuro brilhante.

48 Pequena viking
48 Bad Girl


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