Em ruinas encontramos o sepulcro, foram quarenta e oito dias
de viagem e mesmo assim, apenas depois de duas noites conseguimos realmente
encontrar uma entrada, a sua volta vinte e quatro colunas quebradas pela metade
mostravam que a guerra realmente acabará la.
Olhei para meus companheiros, todos estavam cansados
principalmente o arqueiro que teve que gastar doze flechas para capturar apenas
4 coelhos nessas terras escarças de vida. Logo minha atenção se volta para o
motivo da nossa jornada. Minha dama, descansando na maca que montamos que era
carregada por seis poderosos cavalos, fazendo a viagem ser mais confortável
possível. Sua mão estava gelada, o remédio a fazia dormir e não sentir dor, mas
o veneno do Barão Kvardek-Ok que em sua sede de sangue e poder havia tentando
me matar num traiçoeiro golpe temperado com veneno. Fui salvo pelo sacrifico da
minha dama guerreira e jurei morrer antes de tentar tudo para salva-la.
O vento rugia, sua brisa uma musica entre galhos antigos que
cercavam a masmorra. Nosso colega Achtundvierzig, clérigo de Elisha mestre dos
quatro círculos de doze ficaria com minha guerreira enquanto partiríamos nas
entranhas da terra e do passado achar a Rosa Anil, dita ser a única cura de tal
veneno.
Entramos, vou a ponta como é costume da minha Ordem, os
Ursos de Prata, cercado pelo nosso mago negro que dominava a arte da magia de
ilusão, uma assassina mestre em amarras e adagas e o melhor amigo de minha dama
guerreira, antigo bandido e atualmente um dos mais fabulosos Bardos, mestre nas
magias das palavras e no arco. Entramos na clássica formação de losango quatro
lados sendo observados, oito olhos atentos.
Andamos horas que pareciam dias, começo a ficar afobado por
não ter respostas mas logo as lembranças de minha dama, pedindo calma com o olhar
me fazem manter o foco. Tudo ficará bem, sempre disse para ela, e agora que ela
finalmente larga as garras de seus treinadores o destino tenta nos separar.
Jamais. Deuses e demônios irão cair sob minha lamina antes que permita tal
coisa. É o que grito em minha mente quando sinto a mão de um de meus
companheiros apertando meu ombro enquanto aponta para uma das cavernas escuras.
Olho. Uma luz anil brilha ao fundo.
Ela acorda...se sente melhor com a vida voltando a cor e a
temperatura em seu corpo. Apenas uma ardência em sua mão esquerda, quando vê
uma rosa anil, ficando vermelha com seu sangue, rosa essa que se enrola em sua
mão, como se formasse raízes no seu braço e trocasse o veneno pela seiva. Ela
vê todos...todos menos eu.
Lentamente contam, sobre os soldados mortos-vivos que
guardavam a criatura que tinha a rosa como armadura, o corpo envolto de raízes
e caules, usando um deles como um chicote fatal e venenoso. A luta foi grave!
Sangue jorrou, cabeças rolaram de inimigos a muito mortos, o mago lançava suas
magias mostrando o passado para a criatura que se atordoava, mas não o bastante
para um golpe fatal enquanto o bardo cantarolava e recitava palavras de poder
que fortaleciam a todos. Eis que a brecha se abriu, um golpe certeiro no
coração da criatura, era morte certa. Mas não era.
A rosa a mantinha viva, porem sem o coração estava fraca e
parecia que ambos iriam morrer, a rosa e a criatura. Contaram que não tive
duvida, joguei minha lamina de lado e puxei minhas adagas, cortando a rosa que
ficava na mão esquerda com um golpe da direita e a cabeça da criatura com a
outra. A rosa começa a murchar, ninguém entende, apenas eu.
A quarenta e oito séculos que essa rosa se alimenta de vida,
ela não cura apenas, ela também fortalece, mas não sem cobrar um alto preço.
Ela precisa de um novo hospedeiro, um que queira se sacrificar, um que quer
fazer isso por um sentimento que antes jamais existiu, um sentimento que não
pode ser dito, nem cantando, apenas entendido pelo seu outro par. Com pesar
meus amigos contam como atravesso o caule da rosa em meu coração, apenas tento
tempo de lançar uma semente azulada na mão do bardo e dando as instruções de
como faze para lhe curar. Morro.
Todos choram, esperam que ela se levante em fúria e devaste
vilas como fazia antes, quando presa por seus treinadores, destruía pessoas
pelo simples ato de ver sofrimento nos outros, já que não tinha coragem de
terminar com o seu próprio, nem tirando sua própria vida como tendo a coragem
de fugir. Todos esperam que ela se mate, como sempre anunciava que iria fazer
quando era encarcerada. Nada disso ela fez. Ela apenas sorriu, como nunca havia
sem ser na minha presença.
Ela sabia.
Eu a resgatei de seus treinadores, não lutando, mas
mostrando o quanto ela era forte. Eu a joguei contra inimigos poderosos e ria
quando se feria em combate. Eu a deixei forte, uma mulher, uma guerreira uma
viking. Ela sabia q eu nunca iria me sacrificar a toa, que deixaria ela só. Ela
logo me sente dentro, eterno. Não precisamos estar juntos, apenas saber que um
está sempre com o outro, e agora viva e bem, me carrega sempre em seu peito, a
deixando mais forte e linda.
Uma nova guerreira surge, com amigos e um grande quarenta e
oito em seu peito, que foi o numero de vitorias que tivemos juntos. Foi o
numero de dias que passamos juntos antes de começarmos a nos aventurar
novamente, foi o numero de monstros que derrotamos e é o numero de vezes que
confessamos nosso amor até o dia que meu corpo foi.
Apenas o corpo, pois minha alma agora é dela, numa luta
constante sob as decisões sobre oq eu fazer, como sempre foi nossos duelos e
fazendo os medos delas serem consumidos pelas minhas certezas de um futuro
brilhante.
48 Pequena viking
48 Bad Girl